“Carreira nada óbvia” – uma história e seus princípios

No comments
Você já considerou fazer uma transição de carreira, mas não enxerga possibilidades? Ou mesmo tem algumas opções a escolher, mas não consegue decidir? Se sua resposta é sim, compartilho nesse texto alguns conceitos e um exemplo de “carreira nada óbvia” bem-sucedida, para, quem sabe, te inspirar e gerar novas ideias!
 
Outro dia tive um bate-papo online com um amigo que está trabalhando na Espanha e ao compartilharmos sobre nossas experiências e o momento atual, me saltou uma frase na cabeça – “que bacana, você construiu uma carreira nada óbvia”! Fiquei admirada e feliz por suas conquistas, porque sei o quanto se esforçou para chegar onde está hoje. Foi daí que surgiu a ideia do texto.
 
E por que essa expressão “carreira nada óbvia?” Ele foi meu colega de turma no curso de Psicologia da Unesp de Assis e também trabalhamos juntos na Humanus Empresa Júnior (empresa que presta Assessoria e Consultoria em Psicologia Organizacional e do Trabalho). Depois, foi a pessoa que me indicou para trabalhar em meu primeiro emprego em São Paulo, na consultoria em que atuava, especializada em seleção de executivos. Imensa gratidão por isso!
 
Voltando ao assunto…qual seria uma carreira óbvia a seguir, pensando no curso de Psicologia e atuação nos estágios que fez na área? Atuar na área de Recursos Humanos em empresas ou em Consultorias da área, por exemplo. Foi o que ele fez por um tempo – trabalhou por alguns anos com Recrutamento e Seleção de Executivos, em consultorias especializadas, obtendo reconhecimento de seu trabalho e crescimento na área. Até que decidiu seguir para um novo desafio: atuar em um novo setor, mudar de área e trabalhar em uma nova função. Ele foi para uma empresa do ramo do atacado (alimentos e não alimentos), presente em diferentes países. Passou por cargos como Gerente de Projetos e Operações, Gerente de Projetos de Planejamento Comercial e Gerente Geral de Operações. E hoje, ele atua como Gerente de Operações e Logística, em uma empresa de Petróleo e Energia.
 
O que me chamou atenção em sua trajetória, foi que ele não seguiu um percurso-padrão-linear de ascensão. Mas criou um percurso diferente e único. Esse é o ponto central do que busco transmitir aqui: cada trajetória profissional é um quebra-cabeças a ser montado de forma personalizada. Existem diferentes possibilidades e precisamos pensar e agir sobre elas para construir uma carreira que tenha sentido para nós. O que fez sentido para mim como uma carreira, não faria sentido para ele e vice-versa. É preciso considerar a própria identidade, interesses, habilidades e potencial, propósitos, valores, possibilidades…e por aí vai!
 
E, algumas vezes, para ter uma carreira que faça sentido, será preciso criar caminhos vistos como improváveis e nada óbvios. Inclusive, falando sobre carreiras nada óbvias, tem um vídeo que recomendo: “O Profissional do Futuro”, que é uma palestra da Michelle Schneider, no TEDxFAAP. Ela traz informações muito interessantes e reflexões que todos precisamos fazer, a respeito das mudanças do mercado de trabalho, decorrentes dos avanços tecnológicos.
 
Vemos hoje a substituição de empregos por robôs e softwares, algo que se intensificará ainda mais nos próximos anos. Compartilho aqui dois dados que ela apresenta no vídeo: Em 20 anos, 47% dos empregos terão desaparecido, segundo a Universidade de Oxford. 65% dos alunos no ensino básico vão trabalhar em profissões que ainda não existem, segundo o Fórum Econômico Mundial. Para além de toda a reflexão que precisamos fazer como sociedade para lidar com novas questões que surgem, pensando em questões de carreira, as reinvenções profissionais serão mais frequentes e necessárias, não é mesmo?
 
Por tudo isso, ao conversar com ele, vi que poderia ser um bom exemplo de forma de pensar e agir para conseguir criar possibilidades profissionais. E pedi que ele respondesse a algumas perguntas. E ele topou! Obrigada Silvio Caravieri! Vamos às perguntas e respostas:
 
1) Silvio, Algumas pessoas têm o desejo de mudar de área, construir um novo caminho, por estarem insatisfeitas com a situação atual e/ou por terem outros sonhos. Mas é desafiador fazer essa transição de carreira. Quais foram seus pensamentos / crenças, que mais ajudaram a conquistar novos patamares? Que atitudes considera terem sido importantes?
Gosto muito de gente. Sou apaixonado pelas diferenças culturais e pelo quão interessante é o movimento de saber identificar quais são os principais drives de uma cultura e encaixar-se à ela. Então, acredito que pelo fato de ser muito curioso, dedicado, aberto ao novo sem medo de errar, são coisas que me ajudam no dia a dia e em minhas decisões. Não tenho medo de errar, nunca tive, e gosto do risco. Quem me conhece sabe que levo esse estilo no meu dia a dia. Também sou um cara simples e transparente com todos e em todos os momentos. Sempre tento fazer o meu melhor e me dedico muito a ouvir as pessoas.
 
 
2) Que “conselhos” você daria a quem quer fazer uma transição de carreira?
“Tome tempo para você. Reflita. Pense muito em você, na sua família, amigos, rotina, e se visualize na função/cargo ao qual tem pensado em assumir nessa mudança de carreira. Externalize: escreva o seu currículo para os próximos 10 anos, o imprima, olhe para ele e pense se faria sentido essa mudança que tem pensado para agora. Será que é o momento certo? Olhando lá na frente, essa posição que está desejando terá agregado em algo? Arrisque-se. Com responsabilidade, mas arrisque-se. Eleja uma ou duas em seu entorno…pessoas que você admira, que compartilham de seus valores. Converse com elas. Peça suas opiniões. Espelhe-se em seus acertos e aprenda com os seus erros.”
 
3) Quando alguém assume uma nova função, precisa desenvolver novas habilidades e reforçar pontos fortes já existentes. Certo? O que ajuda nesse processo de aprendizagem, em sua visão?
“Falar com pessoas que já tiveram/ou que têm posições semelhantes ajuda muito. Estudar, pesquisar: ler. Após assumir a nova função: como você é novo e não possui um background técnico na função, dedique-se a ouvir a sua equipe (caso tenha uma), colegas de outras áreas da empresa. Pergunte a eles: “o que você gostaria de ver a área X entregando como resultados daqui 1 ano? Quais são as principais oportunidades para a área X em seu ponto de vista? Se você estivesse na minha pele, o que faria?” Em resumo: reflita, projete-se, seja bom ouvinte, dedique-se muito as pessoas e divirta-se com o fato de tudo ser novo na nova função.”
 
O que você pode aprender e aplicar a partir da visão e experiência do Silvio?
 
Eu aprendo muito com ele sobre o quanto é focado, concentrado e estratégico para criar caminhos e alcançar resultados (quem já trabalhou com ele sabe do que estou falando – sabe aquele jogador que entra no jogo com olhar concentrado e para ganhar? Esse é o Silvio). Também aprendo sobre o quanto é preciso se dedicar hoje para colher resultados no futuro. Um dos pontos que mais fiquei feliz em tudo isso, foi saber que hoje ele tem uma atuação em outro país, em uma empresa multinacional. E lembro bem dele priorizando o estudo do inglês em sua rotina, lá atrás, para subir níveis no idioma. Além da coragem, adaptabilidade a mudanças e disponibilidade para aprender!
 
É isso, agradeço novamente, Silvio, por tantos ensinamentos!

Patrícia Schuindt“Carreira nada óbvia” – uma história e seus princípios
Ler mais

Sem editais abertos, concurseiros devem ajustar os planos

No comments

Tive a oportunidade de participar de uma entrevista para o Estadão, sobre plano de carreira para concurseiros, diante do cenário atual, veja aqui: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,sem-editais-abertos-concurseiros-devem-ajustar-os-planos-diz-especialista,10000072198

Patrícia SchuindtSem editais abertos, concurseiros devem ajustar os planos
Ler mais

Quem você admira e por qual motivo?

No comments

Peter Salovey entrou em minha lista desde que comecei a estudar mais sobre Inteligência Emocional.

Hoje, soube que ele é presidente da Yale University e encontrei esse texto. Claro que me empolguei muito, afinal: música, conhecimento, inteligência emocional, interações positivas, apoio ao desenvolvimento, “tudo junto e misturado”, não poderia causar outro efeito.

O que ele diz:
Sobre formas de educar: “É preciso reconhecer que os alunos se tornarão cidadãos no futuro e vão necessitar de habilidades que se aprendem através de interação próxima entre aluno e professor e não através de professores que só falam e alunos sentados, passivamente, só ouvindo”.

Sobre apoio financeiro a alunos que precisam – “Significa que podemos formar líderes para o mundo sem levar em consideração a situação financeira das pessoas”.

 

Veja a matéria:

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/08/presidente-de-yale-toca-em-banda-com-alunos-e-aposta-em-interacao.html

Patrícia SchuindtQuem você admira e por qual motivo?
Ler mais

Sobre carreira e empreendedorismo – Marcelo Tas, Mentoria da Endeavor

No comments

Ontem participei da Mentoria da Endeavor com o Marcelo Tas. Um nome conhecido, projetos sólidos e diversificados, com uma história que vale a pena conhecer, pois nos reforça que para conquistar sonhos é preciso sair da zona de conforto, enfrentar desafios, arriscar, mudar, buscar o suporte de pessoas (Mentor, Coach, amigos parceiros) e saber que as coisas não começam grandes, elas começam de forma artesanal, você vai fazendo aos poucos, com os objetivos em mente.

Vou reproduzir alguns trechos de suas falas (recortes, resumos) do que mais chamou a minha atenção. Espero que seja relevante pra você!

O começo
No começo de sua atuação, ele e seus amigos produziam conteúdos (vídeos) e não tinham onde publicar (hoje é bem mais fácil isso e ele sugere que as pessoas valorizem isso e cuidem do que estão publicando).
Comentou que após “ralarem muito” conseguiram com que a Gazeta de SP abrisse as portas para publicar os vídeos. “O Varela nasceu de um jeito espontâneo, vários garotos fazendo coisas diferentes”

O que achei interessante é que ele disse que sentia-se constrangido com a câmera e usou isso com o personagem. Dá pra imaginar hoje o Tas constrangido com uma câmera? Não, né? As pessoas crescem, se desenvolvem e aqui fica um ponto: não fuja do que é um desafio pra você. Após viver essa experiência, você vai somando bagagem para desafios maiores.

Sobre intuição:
Eu me movo por intuição, não uma intuição esotérica, mas tem muito a ver com a minha conexão com as coisas ao redor. Acho isso muito importante – estar ligado ao redor. É muito fácil querer mudar o mundo, querer um mundo melhor, mas mudar o mundo ao redor é muito difícil, porque é onde você vai ter que botar a mão na massa mesmo. Sua rua, seu bairro, sua cidade. Quando vai aumentando a dimensão (ao invés do que está próximo, o que está distante) vai ficando mais fácil patinar na maionese “ah o Brasil”…A intuição é colocar seu coração, razão, equipamento intelectual, tudo que você já leu e viveu para funcionar junto. É importante tudo isso funcionar quando você sente que tem um caminho pra você investir o seu tempo, sua energia. Eu caminho por intuição, por projetos que me atraem.

Esforço e desafio
Por exemplo, quando tinha um trabalho na Globo e me esforcei por uma bolsa de estudos em NY. Me dediquei muito para passar na peneira. Ao ganhar a bolsa, abri mão da segurança e fui para o incerto – estudar por 2 anos.
Minha trajetória tem várias curvas, momentos dramáticos. Contando hoje parece historinha…Mas enfrentei situações difíceis, por exemplo, quando voltei de lá com a mulher grávida, desempregado, não era tão fácil a situação. Demorou um tempo e tive o convite do Rá-Tim-Bum – algo que nunca tinha feito: um programa para crianças.

Postura na caminhada…
As coisas vão caminhando e depois que caminhou bastante na estrada, é legal você olhar “afinal, pra onde estou indo, o que estou querendo fazer com isso, com essa minha dedicação, minha energia?” Recentemente, fiz esse pensamento para lançamento do Tasômetro. Vi que minha vida inteira foi em cima de humor, educação e interação (divertido, educativo, educativo) e são esses os pilares que sigo. Percebi isso faz uns 5 anos, com ajuda de muitas pessoas. Procuro estudar. Também fiz mentoria e Coaching, que é algo que fala muito. Fiz pra valer. Consegui visualizar aquele momento, dúvidas, desafios.

Mais uma superação
Ele conta sobre sua decisão de entrar como Coordenador de Criação do Telecurso, que era algo gigantesco, com mais de mil programas envolvidos e muitas pessoas na equipe. Ele disse “além de parecer que era algo elém da minha capacidade, parecia ser alguma coisa chata, um desvio. Mas tive paciência, resiliência de olhar para as pessoas em volta e sentir se era aquilo mesmo. E virou um dos momentos mais importantes da minha vida”.

Quando questionado sobre como segurar pratinhos de suas experiências empreendedoras, falou que tem que trabalhar com pessoas, delegar, estimular, criar rede, interna e externa.

Uma coisa importante foi a pergunta que ele fez: “Como você ouve o cliente que atende?” Ele comentou sobre sua pesquisa para entender quem são os 10 milhões que estão em sua rede. Disse que em seu Blog a primeira frase que escreveu foi: “Finalmente, virei o Roberto Marinho de mim mesmo. Cada um hoje é dono do próprio sistema de comunicação. Você vai emitindo o que é sempre. Vivemos a era da super exposição – ter consciência do que expor, até onde sua vida pessoal deve ser invadida ou pode ser exposta. Não tem regra. Esse cuidado da vida pessoal e pública é importante saber dosar, até onde vai uma coisa e até onde começa outra”.

Sobre o terceiro setor
Terceiro setor é algo que infelizmente descobri depois de velho. Se tivesse descoberto antes, eu adoraria. Sugiro a vocês, quem ainda não se colocou como voluntário, que busque . Você muda a maneira como olha pra tudo. Principalmente, pra a cidade onde está. Que é onde abrir seu elo, missão. O dia que fui na casa do Zezinho, vi a importância do projeto social. Aprendi muito sobre o agora, a importância do momento presente. Da palavra coragem. Em situação muito desfavorável você com garra entusiasmo, como fazer? Com a rede – colocando entusiasmo com a sua rede (de pessoas). Disponibilidade – ter a disponibilidade para alterar a realidade. Coisa da garra, botar a mão na massa.

Sobre empreender no Brasil
Precisamos parar com discurso de vítima – a gente tem que entender que vivemos num pais que é muito capaz, já superou várias crises, pra quem é jovem, trabalhar nos anos 80 foi um desafio. Superar uma crise, absolutamente surreal, a crise que vivemos hoje não chega no calcanhar (…) Temos um país com muito defeitos, mas prontos pra voar. Não sou poliana, que está tudo azul. Temos burocracia que nos tolhe como empreendedores, mas quem ficar só reclamando, só vivendo esse coitadismo, essa religião que se chama coitadismo, onde todo mundo é coitado – sou mais coitado que você, é uma espécie de competição…fujam disso e procurem ouvir uma coisa que é muito importante que é o coração de vocês. Foi o que me moveu quando eu estava numa faculdade de engenharia. Eu descobri que não tinha nascido pra fazer cálculos (…) Enxerguei o momento que a comunicação surgiu. Se você está contraído, praticando o coitadismo colocando a culpa nas outras pessoas, você não enxerga. Eu enxerguei, vi para onde meu coração estava me mandando. Em muitos momentos em nossa vida pessoal, como empreendedor, paramos para ver a bússola que o coração aponta. Seja muito sincero com você: estou infeliz. Vamos ver por que, vamos ver onde acende uma luzinha, às vezes é luzinha pequena, mas é importante dar valor pra ela…é assim – a palavra é coragem, que é o contrário de medo, de contração, se fechar. Não é ser irresponsável, mas se colocar na realidade, e a realidade começa com as pessoas que estão ao seu redor. A mudança principal na vida da gente acontece com as pessoas que estão do seu lado. São essas pessoas que mudam sua vida, não é o cara que está em cima da montanha, não.
Quero conhecer cada vez mais sobre: “eu mesmo”. Saber porque estou aqui, quem é essa pessoa, o que significa a gente estar aqui. Pra mim a chave desse entendimento é estudar (…)

O que você achou?

Patrícia SchuindtSobre carreira e empreendedorismo – Marcelo Tas, Mentoria da Endeavor
Ler mais

Um professor faz toda a diferença. Parabéns pelo dia de vocês!

No comments

A importância e o impacto de um professor na vida das pessoas é muito grande. Acredito que além dos conteúdos que ensina, a forma como o faz, a forma com que se relaciona com os alunos, as palavras que diz, poderão afetar significativamente a vida de uma pessoa.

Parabéns a todos os professores que buscam fazer o seu trabalho da melhor forma possível, mesmo em meio a tantas dificuldades! O que espero é que a Educação no país melhore e os professores possam encontrar novos caminhos para sua atuação, pois é fato que hoje muito precisa ser feito neste sentido.

Veja a entrevista que fiz com a Professora Neide Pereira Miranda. Agradeço muito essa participação especial! 🙂

Veja também o Blog de sua amiga Vera Cancelli, também professora aposentada: wwwveracancelli.blogspot.com.br

DSCN1986 (2)

1) Você ensinava quais matérias na escola?
R: “Ensinava todas as matérias do Ensino de primeiro grau. Além disso, lecionei Matemática durante nove (9) anos em uma Escola Municipal. Foi um curso noturno e muitos alunos que não tiveram oportunidade de estudar anteriormente, conseguiram concluir o primeiro grau. Foi muito gratificante para mim. Ainda lecionei Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política na Escola de Comércio Segundo Grau em Itapeva. Ainda, fui Coordenadora Pedagógica na Escola Professora Zulmira de Oliveira, em Itapeva/SP, até a minha aposentadoria.

2) O que é mais gratificante na profissão de professor?
R: “O mais gratificante de minha profissão foi conseguir alfabetizar alunos que nem sabiam pegar no lápis para escrever e maios ou menos nas férias de Julho já estavam escrevendo até cartas (para a namoradinha) e lendo histórias infantis. Atualmente, mais gratificante ainda é ver meus ex-alunos em diversas profissões, realizados e felizes e que ainda se lembram de mim. Só que tem alguns que se desviaram para o mau caminho, infelizmente, mas poucos”.

3) Para você, quais são os desafios enfrentados?
R: “Desafios foram muitos: falta de material escolar para os alunos, transporte inexistente para alunos e professores (cheguei a andar a cavalo, de carroça, etc), salário irrisório, falta de apoio técnico aos professores, currículo não adaptado a realidade social dos alunos e nem flexível para atender as demandas do desenvolvimento social. Porém, nos dias atuais existe um desafio terrível, ou seja a violência nas Escolas, que não existia”.

4) Quais as diferenças que você percebe em sua época como professora e o sistema atual?
R: “Quanto ao sistema atual de ensino, como me aposentei há muitos anos não estou bem informada. Apenas sei que a qualidade de ensino deixa muito a desejar. Aliás, acho que essa decadência teve início na imposição do governo – promoção automática, isto é, o aluno do Primeiro ano passava para o segundo ano de Ensino Fundamental sem fazer provas. A partir daí, além desse processo, também outros fatores ocasionaram a má qualidade de ensino”

5) Qual a sua opinião sobre “a educação é a resposta para o desenvolvimento do país e a resolução de problemas que enfrentamos”?
R: “Concordo plenamente, pois, é graças à educação que um país torna-se desenvolvido e o povo ficará apto a enfrentar os problemas do mundo. Porém, precisamos frisar que em uma sociedade tecnológica, competitiva e globalizada, muitos desafios são postos à escola, e, precisamos buscar soluções rápidas, assim como é a velocidade que a tecnologia se transforma. Além disso, é preciso que ocorra uma educação básica para a vida a qual ajudará as crianças e adolescentes a serem sujeitos com caráter e discernimento, reflexivos, éticos e solidários, contribuindo de forma eficaz para a sociedade onde estão inseridos, ou seja por meio de uma educação transformadora”

Patrícia SchuindtUm professor faz toda a diferença. Parabéns pelo dia de vocês!
Ler mais

Neurociência na prática: O que é e como funciona a Memória Operacional.

No comments
(Fonte da imagem: site Neuropsicopedagogia na sala de aula)

 

Enquanto você lê esta mensagem, algumas áreas do seu cérebro ativam a sua Memória Operacional. Certo…mas o que é isso?

Para responder a essa pergunta, tive a participação super especial da Dra. Flávia Heloísa Dos Santos, cogne

que é Psicóloga e, atualmente, é Investigadora da Universidade do Minho, Portugal e Professora  voluntária do Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem  da Universidade Estadual Paulista, UNESP, Campus de Bauru*.

Apenas uma observação – decidi compartilhar sobre esse assunto porque vejo que quanto mais  eu sei sobre como meu cérebro funciona, mais aprendo sobre como lidar em algumas situações. Então, aqui é apenas um começo e pretendo compartilhar mais informações sobre isso com você. Quando falamos de Memória, falamos de alguns conceitos muito importantes para a nossa vida, no campo pessoal ou profissional.

“Somos aquilo que recordamos (ou que, de um modo ou de outro, resolvemos esquecer)”
(Izquierdo)

Dra. Flávia, você poderia explicar o que é a Memória Operacional (MO)?

“A memória operacional (MO) é a capacidade de reter e manipular informações por curtos períodos de tempo. É uma habilidade fundamental para a aprendizagem, tanto de informações simples quanto de complexas. Portanto, esta memória é utilizada em situações cotidianas, profissionais e educacionais. Por exemplo, enquanto uma pessoa faz um cálculo mental como 12 x 5 (realiza diversas operações simultaneamente: organiza os números espacialmente, multiplica, soma, e memoriza os resultados parciais até chegar ao resultado final) ou quando um condutor recebe indicações de como chegar ao próximo posto de gasolina (vire à direita, siga reto até a rotatória e depois do semáforo gire à esquerda) pode memorizar tanto as palavras quanto organizar uma imagem mental do caminho, e as informações permanecem ativas enquanto são necessárias para realizar a tarefa”, segundo Flávia.

Como funciona a memória operacional?
“Não existe consenso entre os pesquisadores sobre todos os processos envolvidos no funcionamento da MO. Por isso há vários modelos teóricos, dos quais o que mais se destaca é o de Baddeley & Hitch (1974), revisado algumas vezes por Alan Baddeley, nos últimos 40 anos. Segundo este autor a MO teria pelo menos três componentes: um verbal (para memorizar informações de palavras, frases, aprender um novo idioma, etc) e outro visuoespacial (para memorizar as imagens mentais, por exemplo visualizar mentalmente a disposição dos objetos em seu quarto), ambos coordenados por um controlador atencional, responsável por identificar qual é a informação relevante no momento presente, na qual a pessoa precisa se centrar. A MO também se comunica com o que aprendemos previamente na infância ou em outras ocasiões, ou seja, com a nossa memória de longo prazo. Dessa forma, algumas informações captam a nossa atenção imediatamente, sobretudo se são afetivas (falar com uma pessoa muito simpática, receber uma crítica no trabalho) ou se podem nos livrar de algum perigo (como o som de um disparo). Para guiar a nossa atenção avaliamos o contexto em que estamos ao receber tais informações e consideramos o nosso aprendizado em outras situações semelhantes. Essa capacidade de determinar se uma informação tem valência positiva, negativa ou ameaçadora é função de outro componente do sistema, o detector hedônico. Por fim, em cada experiência a MO integra o conjunto de informações atencionais, auditivas, visuais, emocionais e de longo prazo em um episódio único, criando uma recordação consciente do momento presente”.

Muito obrigada, excelente!!!

Essas informações me fazem pensar: Quando tenho escolha, a que tipo de experiências e situações me submeto? Que tipo de conhecimentos estou buscando? Que informações têm “entrado em minha mente” todos os dias? Afinal, essas situações ocasionarão novas conexões e recordações. Por isso, sempre que possível, é bom “se alimentar” do que faz bem para a mente e faz você “ir pra frente”.

Se você tem interesse em saber mais sobre Neuropsicologia, veja esse livro lançado     este ano – recomendo!!! NEUROPSICOLOGIA HOJE, segunda edição – (SANTOS, F.H.; ANDRADE, V. M.; BUENO, O. F. A. (Orgs.). Neuropsicologia hoje. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.)

SANTOS_Neuropsicologia_Hoje_2ed

    *Flávia também é Especialista em Psicologia da Infância pela Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP e Doutora em Ciências pelo Departamento de Psicobiologia da UNIFESP com período de intercâmbio na University of Durham,    Reino Unido. Ela realizou Pós-doutorado na Universidad de Murcia, Espanha.

 

Patrícia SchuindtNeurociência na prática: O que é e como funciona a Memória Operacional.
Ler mais